
Na minha casa os objetos mudam de lugar. Álbum de fotografia do quarto colocado na sala fica na cozinha. Cadeira da varanda atrapalha corredor. Três portas não fecham. Certo dia o cinzeiro atraiu moedas. Todos os isqueiros ficam perdidos dentro dos bolsos. Há mais janelas que cortinas. Café, pão. Esqueceram o som ligado e os pratos. O casal de elefantes comprado em Ipanema mora embaixo do quadro do mostro. É um rosto bordado que acaba em vários outros. Dedos imitam cata-ventos. De longe parece um naufrágio, de perto é uma mulher aplaudindo cigarros vermelhos caídos do céu.